
Hoje levei minha namorada para jantar com minha mãe, meu padrasto, minha tia e o marido dela.
Minha mãe e ela já se conheciam de vista, mas hoje foi, digamos assim, “a apresentação oficial”. Tem um tipo de protocolo pra coisas assim. Ou deveria ter. Sei lá.
Ela estava nervosa em conhecer minha mãe, o que é compreensível. Eu também estava meio nervoso, o que é mais compreensível ainda - porque quase sempre eu estou nervoso!
O jantar foi no apartamento onde minha mãe mora, lugar que foi minha morada por dezoito anos. É o lugar mais especial que existe pra mim, já que passei a maior parte da minha vida morando ali. E por ser um lugar tão especial, talvez explique porque eu, com quase trinta anos, nunca tinha levado uma namorada antes. Eu já havia me prometido, há muito tempo, de que só levaria uma mulher para jantar com minha família se ela também fosse especial.
E a verdade é que esta é minha primeira namorada. A primeira que eu tenho segurança em chamar de namorada a ponto de aproximar da minha família. Porque família é um negócio que eu respeito. Sem piadas. Família é uma das poucas coisas do mundo que não são descartáveis.
Claro que não podia faltar o momento “mamãe mostra para a namorada as fotos do filho criança”. Fora isso, foi tudo perfeito. Não, pensando bem, até isso foi perfeito. Eu jamais deixaria uma mulher que eu não amo ver minhas fotos de criança, eu vestido de Chapolim ou mostrando a bunda no chuveiro (apesar que acho que essas fotos não estavam juntas). Eu provavelmente não deveria ter escrito isso.
Seja como for, essa crônica é apenas sobre isso. Um pequeno recorte de um dia que poderia ter sido comum, com a exceção que não foi. É o simples que me fascina, que me emociona, porque pessoas complexas correm o risco de achar que nunca serão felizes com as pequenas coisas.
E fico lembrando daquela promessa que fiz, a de que só levaria alguém para jantar com minha família se essa pessoa fosse verdadeira. Se eu fosse verdadeiro pra ela. Valeu a pena esperar pelo tal do impossível. Que me desculpem as mulheres, se porventura eu já fui exigente demais. Acontece que fui criado pela mulher mais especial do mundo. É só por isso que eu buscava alguém tão especial.
E valeu a pena.
Diego Gianni
(24/01/2012)